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Nos últimos anos temos assistido a uma revolução digital que tem transformado a sociedade e, consequentemente os negócios. Os dados são uma componente central dessa transformação, pois o mundo está a produzir uma grande quantidade de dados onde se expecta que em 2025 os dados globais cresçam para 175 zetabytes, comparativamente com os 33 zetabytes em 2018 (IDC, 2018).

​​​​​​​Data CoLab – em que consiste?

Os dados tem um forte impacto na sua capacidade em remodelar a forma como produzimos, consumimos e vivemos. Neste sentido, o Data CoLab consiste em serviços baseados em dados para a sociedade, empresas e setor publico contribuindo para a transformação digital.

Este ecossistema tem como objetivo desenvolver conhecimentos específicos e tangíveis que serão transferidos para o mercado de forma a manter e a aumentar a competitividade do negócio e também sensibilizar para a necessidade de adaptar estes negocios à realidade emergente da inovaçao baseada em dados.

Dados e os seus desafios

O relatório The Global Datasphere da IDC refere que quase 1/3 dos dados produzidos serão “impulsionados pelo crescimento de videovigilância, dispositivos IoT, metadados e entretenimento”.

Em 2018, 80% dos dados eram provenientes de instalações de computação centralizada e 20% de objetos conectados como carros, eletrodomésticos e informática. Em 2025 prevê-se que esse paradigma se altere no sentido em que apenas 20% dos dados sejam provenientes de instalações de computação centralizada e o restante de objetos inteligentes conectados.

Estratégias Europeias ​​​​​​​

Os dados podem ser utilizados para resolver e mitigar problemas desde engarrafamentos até ajuda em desastres. No entanto os países europeus não estão a utilizar esses dados em todo o seu potencial.

Numa sociedade em que a quantidade de dados gerados por pessoas singulares será cada vez maior, o seu modo de recolha e de utilização deve dar primazia aos interesses das pessoas, em consonância com os valores, as regras e os direitos fundamentais europeus.

Os cidadãos apenas irão confiar e aderir a inovações baseadas em dados, se estiverem seguros de que qualquer partilha de dados pessoais na União Europeia (UE) estará sujeita ao total cumprimento das regras rigorosas da UE em matéria de proteção de dados.

Para tal, as estratégias têm como objetivo a criação de um verdadeiro espaço de dados Europeu, um mercado único de dados, de forma a permitir a circulação de dados na União Europeia  e entre setores em benefício das empresas, investigadores e administrações públicas.

Refira-se que os dados são uma parte crucial no processo de tomada de decisão, no sentido de capacitarem as organizações, empresas e cidadãos a tomarem as melhores decisões. Entende-se que estes dados devem estar disponíveis a todos, sejam eles públicos ou privados, start-up ou gigantes.

A criação de um Mercado Único de dados tornará a UE mais competitiva a nível mundial e permitirá o desenvolvimento de processos, produtos e serviços inovadores.

Figura 1

Os dados industriais e comerciais (Figura 1) são motores essenciais da economia digital. A Estratégia Europeia (Figura 2) para os Dados permitirá colocar mais dados à disposição da economia e da sociedade, mantendo simultaneamente o controlo por parte de quem os gera.

Figura 2

A importância dos dados para a economia e a sociedade

​​​​​​​disponibilização de mais dados e a melhoria do seu modo de utilização são essenciais para dar resposta a desafios societais, climáticos e ambientais, contribuindo para sociedades mais saudáveis, mais prósperas e mais sustentáveis. A título de exemplo, permitirão definir políticas mais eficazes para alcançar os objetivos do Pacto Ecológico Europeu. Simultaneamente, estima-se que a atual pegada ambiental do setor das TIC corresponda a uma quota-parte de 5 % a 9 % da utilização total de eletricidade a nível mundial e a mais de 2 % de todas as emissões, uma grande parte das quais procedentes de centros de dados, de serviços de computação em nuvem e da conectividade.

Atualmente, devido à pandemia da COVID-19 e consequente aumento do trabalho remoto assim como a procura por meios de comunicação digital, o setor das TIC é responsável por entre a 3 a 4% das emissões globais de CO2. Como forma de solucionar esta problemática, os especialistas sugerem que sejam adotadas medidas concretas para diminuir o impacto ambiental das empresas tecnológicas e de telecomunicações.

Assim, em 2025 prevê-se que o valor estimado da economia dos dados (UE-27) sejam os expostos na Figura 3.


SOBRE A AUTORA

Cátia Pereira Oliveira Cátia Oliveira, mestre em Engenharia e Gestão de Sistemas de Informação pela Universidade do Minho, com tema de tese de mestrado Benchmarking de Técnicas de Business Analytics em Big Data. Consultora TIC na FI Portugal desde Agosto de 2020.