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Enquadramento

O Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) português é um programa de aplicação nacional, com um período de execução até 2026, que visa implementar um conjunto de reformas e de investimentos que permitirão a Portugal retornar ao crescimento económico sustentado, assegurando a saída da crise pandémica e garantindo um futuro resiliente para o nosso país. Este Plano está estruturado em três dimensões, Resiliência, Transição Climática e Transição Digital.

A área da Energia está enquadrada na dimensão “Transição Climática”, que inclui uma ambiciosa agenda de sustentabilidade, alterando significativamente o panorama da mobilidade, da descarbonização e da bioeconomia da eficiência energética; acelerando a transição para a utilização de energia limpas e renováveis; e desenvolvendo a economia circular e modificando o paradigma da mobilidade, tendo em conta a necessidade de preservar o futuro das novas gerações.

A Componente “Eficiência Energética em Edifícios” tem como objetivo reabilitar e tornar os edifícios energeticamente mais eficientes, proporcionando inúmeros benefícios sociais, ambientais e económicos para as pessoas e as empresas. Estabelece como reformas, a Estratégia de Longo Prazo para a Renovação de Edifícios (ELPRE), o Programa de Eficiência de Recursos na Administração Pública 2030 (ECO.AP 2030) e a Estratégia Nacional de Longo Prazo para o Combate à Pobreza Energética.

O PRR prevê como investimentos, 300 Milhões € para a eficiência energética em edifícios residenciais, 240 Milhões € para a eficiência energética em edifícios da Administração Pública Central e 70 Milhões para a eficiência energética em edifícios de serviços.

A longo prazo existe uma preocupação com a renovação de edifícios (ELPRE), contemplando-se até 2050 um investimento de 143 mil milhões de euros na renovação de edifícios residenciais, não-residenciais, públicos e privados.

Adicionalmente no âmbito da eficiência energética haverá outros mecanismos de apoio como o Portugal 2030. A Estratégia do PT2030 está dividida em 4 agendas temáticas, sendo a agenda temática n.º3 focada na Transição Climática e sustentabilidade de recursos. Os eixos prioritários da agenda temática 3 são: Descarbonizar a sociedade e promover a transição energética​; Tornar a economia circular; Reduzir os riscos e valorizar os ativos ambientais; Agricultura e florestas sustentáveis​; Economia do mar sustentável​. Adicionalmente perspetiva-se a valorização da eficiência energética nas restantes agendas temáticas.

Assim, os investimentos e as reformas a implementar no PRR permitirão obter importantes resultados alinhados com a Estratégia Portugal 2030.

O orçamento global aprovado para a Estratégia PT2030, previsto no Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027 é de 33,6 mil Milhões de euros. Neste momento não é possível alocar o budget específico à agenda temática: Transição Climática e sustentabilidade de recursos Climática e restantes agendas. 

Investimentos

Da responsabilidade do Fundo Ambiental, pretende-se a promoção de investimentos numa significativa vaga de renovação energética de edifícios residenciais e Não Residenciais, o fomento da eficiência energética e de recursos, o reforço da produção de energia de fontes renováveis em regime de autoconsumo e o combate à pobreza energética, que se podem materializar em ações individuais ou cumulativas, como as a seguir elencadas:

  1. Melhorias passivas ao nível da envolvente, através, por exemplo, do isolamento térmico das paredes, do isolamento térmico das coberturas e dos envidraçados;
  2. Melhorias ativas através, por exemplo, de sistemas de climatização para aquecimento e/ou arrefecimento (ex.: bombas de calor) e aquecimento de águas sanitárias (ex.: solar térmico);
  3. Melhorias ativas através, por exemplo, da implementação de sistemas de produção de energia elétrica de origem renovável, em regime de autoconsumo ou comunidade de energia renovável;
  4.  Intervenções que visem a eficiência hídrica, incluindo a substituição de equipamentos por equipamentos mais eficientes;

Portugal assume o compromisso de promover a descarbonização no setor residencial, privilegiando a reabilitação urbana e o aumento da eficiência energética nos edifícios, fomentando uma progressiva eletrificação do setor e o uso de equipamentos mais eficientes e combatendo a pobreza energética.

É fundamental o envolvimento ativo dos cidadãos e das Empresas. Nestes termos, o Governo propõe:

  • Definir objetivos, metodologias e formas de premiar os ganhos de eficiência por parte de instalações intensamente consumidoras de energia (como fábricas, armazéns, grandes superfícies comerciais, hospitais, hotéis, etc.);
  • Desenvolver uma estratégia de longo prazo para a renovação de edifícios e para os edifícios de zero emissões;
  • Prosseguir com o princípio “reabilitar como regra”, elevando os parâmetros de eficiência do edificado e reforçando a ótica da sustentabilidade assente na eficiência de recursos (eficiência hídrica, energética e de materiais), designadamente por via da utilização de certos materiais, das soluções térmicas e de isolamento adotadas e da instalação de equipamentos de poupança e/ou produção eficiente de energia;
  • Desenvolver o Programa Solar em Edifícios, visando aproveitar o espaço disponível em coberturas com boa exposição solar para autoconsumo e produção descentralizada de energia, incluindo em edifícios públicos e privados;
  • Incentivar a instalação de fachadas e coberturas verdes como forma de promoção de eficiência energética, gestão de água, e qualidade do ar em estruturas e edifícios;
  • Empregar estratégias alternativas de financiamento de medidas ativas de eficiência energética, nomeadamente através da contratualização com empresas de serviços energéticos, que concebem, financiam e executam projetos de redução de consumos energéticos, sendo remuneradas pelo valor da poupança assim obtida;

A FI Group defende que as políticas públicas devem colocar as empresas no centro da recuperação da economia com vista ao aumento da produtividade, competitividade e a resiliência do tecido empresarial.

Neste sentido, A FI Group através de um questionário online auscultou o tecido empresarial português sobre o a importância da eficiência energética e sustentabilidade ambiental nos edifícios.

O Inquérito foi realizado entre 03 e 11 de maio e permitiu a auscultação a 138 entidades.

Apresentação e análise dos resultados

Do ponto de vista territorial, efetuou-se uma análise por NUTS II (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) e as duas NUTS I (Açores e Madeira).  Tal como seria de esperar, existe um maior peso de respostas associadas às regiões Norte, Centro e LVT.

Gráfico 1 – Região de localização da empresa

Para tal, obteve-se 61 respostas referentes à região Norte (44,2%), 33 respostas da região Centro (23,9%), 36 respostas da região LVT (26,1%), totalizando a grande maioria das respostas (94,2%). Em relação às restantes regiões, registou-se 3 respostas da NUTS Alentejo (2,2%), 2 referentes ao Algarve (1,4%), 2 da Madeira (1,4%), e 1 dos Açores (0,7%).

Do ponto de vista do setor de atividade, as respostas foram enquadradas mediante o CAE principal das mesmas, por forma a sinalizar as prioridades de interesse a este nível. Este ponto é essencial, uma vez que pode dar respostas sobre os setores de atividade com maior prioridade ao nível do interesse associado aos fundos presentes no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), na Estratégia de Longo Prazo para a Renovação de Edifícios (ELPRE) e o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, de acordo com as prioridades identificadas na Componente da Eficiência Energética em Edifícios já identificados.

Para tal, sinalizou-se os resultados que totalizam 87,7% da amostra:

  • Indústrias transformadoras (61 respostas, 44,2%),
  • Outros (22 respostas, 17,4%),
  • Atividades de consultoria científica e técnica (17 respostas, 12,3%),
  • Atividades de informação e de comunicação (9 respostas, 6,5%),
  • Eletricidade, gás, vapor, água quente e fria e ar frio (5 respostas, 3,6%),
  • Alojamento, restauração e similares (5 respostas, 3,6%),

Neste sentido, os 6 setores identificados, totalizam 87,7% e permitem aferir as prioridades para as quais se deve direcionar a oferta de fundos, nomeadamente: Indústrias transformadoras, Outras Atividades identificadas (indústria têxtil, agricultura, indústria alimentar, comércio produtos siderúrgicos, comércio produtos petrolíferos, atividades de engenharia e técnicas afins, saúde, educação, social), consultoria científica e técnica, TIC, Eletricidade, gás, vapor, água e ar frio, e o sector do alojamento restauração e similares.

Outros 3 sectores identificados com 8,7% da contagem foram:

  • Construção (4 respostas, 2,9%),
  • Comércio por grosso (4 respostas, 2,9%)
  • Atividades imobiliárias (4 respostas, 2,9%)

Do ponto de vista da dimensão da empresa (fator importante e muitas vezes essencial na definição de enquadramento dos diversos avisos), obteve-se respostas dos seguintes tipos de empresas: microempresas, pequenas empresas, médias empresas, grandes empresas, outras entidades como universidades e institutos, empresas de Small Mid Cap e Mid Cap.

A este nível, as principais respostas que totalizam 94,9% do total correspondem às tipologias de pequena empresa (com 46 respostas, 33,3%), média empresa (com 47 respostas, 34,1%), microempresa (com 20 respostas, 14,5%), grande empresa (com 18 respostas, 13%) perfazendo 94,9% de resultados.

No sentido de aferir quais as empresas que beneficiaram de algum tipo de apoio comunitário no âmbito da eficiência energética, avaliou-se o contexto a este nível, tipificando se a empresa beneficiou a fundo perdido, empréstimos sem juro, financiamento bancário ou não beneficiou. Referem-se os 4 contextos por ordem de respostas:

  • Sim, fundo perdido (11 respostas / 8,0%)
  • Sim, empréstimo sem juros (3 respostas / 2,2%)
  • Sim, financiamento bancário (2 respostas / 1,4%)
  • Não beneficiou de apoio (122 respostas / 88,4%)

Gráfico 2 – Beneficiou de algum tipo de apoio comunitário no âmbito da eficiência energética? 

Pode identificar-se como relevante, a percentagem de empresas que não beneficiaram de apoio comunitário à eficiência energética (88,4%) e a sua ligação com as respostas dadas sobre a importância da criação de benefícios fiscais para apoiar as empresas no processo de transição energético, totalizando 93% das respostas de interesse, onde 67% das empresas considera extremamente importante e 26% responde que é importante e apenas 7% refere pouco importante.

A evolução do custo da energia torna-se cada vez mais um fator crítico e uma atitude preventiva e atempada na área da eficiência energética e é determinante para o sucesso das empresas. Com os fundos comunitários do programa PT2020 – POSEUR (programa operacional sustentabilidade e eficiência no uso de recursos), as empresas tiveram oportunidade de modernizar os edifícios e os equipamentos e obter poupanças significativas.

Ao nível da existência de histórico de incentivos à adoção de medidas de eficiência energética, as empresas tiveram a possibilidade de se candidatar aos seguintes apoios:

  • Programa PT2020 – POSEUR
  • Horizonte 2020
  • Incentivos à Eficiência Energética na Indústria (Fundo de Eficiência Energética – FEE)
  • Linhas de Crédito para apoiar projetos de investimento em eficiência energética
  • Plano de Promoção de Eficiência no Consumo de Energia Elétrica (Programa PPEC)
  • Incentivos à Eficiência Energética – Fundo Ambiental (beneficiários todas as pessoas singulares ou coletivas, do setor público, cooperativo ou privado, com ou sem fins lucrativos)

Do conjunto das empresas inquiridas que fazem regularmente auditorias, só 15% (21 respostas) são abrangidas pelo SGCIE – Sistema de Gestão de Consumos Intensivos de Energia e 85% (117 respostas) não está abrangido pelo SGCIE. Para tal, destes 15% de empresas que realizam auditorias, 95% responderam que têm investimentos previstos no âmbito da eficiência energética até 2026.   

De um universo inquiridos, 54% das empresas revela forte interesse na realização de investimentos para o aumento da eficiência energética até 2026, e como tal, o efeito de sustentabilidade aliada à redução de custos, especialmente importante em tempo de pandemia são as duas principais motivações para esta aposta empresarial. Salienta-se a crescente importância que a eficiência e diversificação energéticas e a sustentabilidade ambiental vêm a conquistar nos mercados atuais, como elementos essenciais para a competitividade empresarial, na sequência de exigências e novos contextos dos mercados e das políticas públicas em vigor e em discussão.

Do ponto de vista de áreas de investimento em eficiência energética, as respostas foram mais variadas, apresentando-se para a análise a imagem seguinte:

Gráfico 3 – Áreas de investimento 

Porém, verifica-se que o maior número de projetos são até 250 mil euros, com enfoque nas áreas de “Fontes de Energia Renovável”, “Edifícios”, Climatização e o “Processo Produtivo” respetivamente. Ao nível dos investimentos entre 250 e 750 mil euros, sinalizam-se os projetos de “Processo Produtivo”, “Fontes de Energia Renovável”, “Edifícios” e Climatização respetivamente. Ao nível dos projetos entre 750 mil e 1,5 milhões de euros, o foco prende-se com a “Fontes de Energia Renovável”, seguem-se, com percentual semelhante, os “Edifícios”, Climatização e o “Processo Produtivo”. 

Para investimentos maiores, com mais de 1,5 milhões de euros, frisam-se as tipologias de “Edifícios” e “Processo Produtivo”.

Neste sentido, esta análise servirá de apoio para identificar os avisos prioritários no contexto do PRR, quer em termos de dimensão, quer em termos de âmbito do apoio.

As escolhas das medidas de melhoria de eficiência energética a adotar nas instalações foi efetuada tendo em consideração vários critérios e a sua a classificação vai de 1-muito importante a 6 – Nada importante. As empresas classificaram os seguintes critérios no processo de decisão como “muito importante”: o período de retorno do investimento (anos) (47,1%), a melhoria do desempenho energético (56,5%), a redução da fatura energética €/ano (68,8%) redução das emissões de poluentes (46,4%), o investimento inicial € (44,9%) e a melhoria do sistema de produção (38,4%).  

Gráfico 4 – Importância de critérios de melhoria de eficiência energética 

A representatividade da parcela de custos energéticos nas despesas da instalação foi uma questão colocada às empresas. Os custos associados ao consumo de energia das empresas, demonstram a importância desta componente nas despesas das empresas, 51% considerou os custos reduzidos / muito reduzidos (entre 5 a 10%) da sua estrutura. No entanto, para muitas delas (49% das empresas), trata-se de uma parcela fundamental representando entre (20% a 40%) da sua estrutura de custo e com óbvias repercussões na sua competitividade.

Gráfico 5 – Representatividade da parcela de custos energéticos nas despesas da instalação 

Apenas 25% das empresas inquiridas tem Planos de Racionalização de Consumos Energéticos (PREn), contra 75% das empresas que não possuem este Plano. De notar a este nível que as empresas apontam como principais razões para tal, a falta de sensibilidade para estas questões, o custo envolvido, considerar que pouco há a fazer para reduzir os atuais consumos ou apontar outras prioridades de investimento consideradas mais pertinentes.

Gráfico 6 – A empresa tem em curso algum tipo de Plano de Racionalização de Consumos Energéticos (PREn)? 

Sendo 75% de empresas que não possuem PREn, consideramos importante referir qual o objetivo da criação de um Plano de Racionalização de Consumo de Energia (PREn) para o edifício. É realizar uma análise minuciosa do consumo energético, onde serão analisadas as faturas do comercializador de energia, a telecontagem do espaço em estudo e, com o objetivo de obter um maior rigor dos resultados, ainda deverá ser elaborada uma desagregação de consumos energéticos e algumas monitorizações. Após a análise dos resultados obtidos será possível identificar potenciais medidas corretivas, no caso de serem evidentes os benefícios da sua aplicação na redução da fatura energética e obtenção de um melhor nível de classificação energético do edifício, que promovam a utilização da energia elétrica de forma mais eficiente e racional.

Na resposta à questão “Qual a importância da criação de benefícios fiscais para apoiar as empresas no processo de transição energético?” 92 sinalizam-se como promotores, 36 como agentes passivos e 10 como detratores. Neste sentido, é possível afirmar a motivação do tecido empresarial, no desenvolvimento dos novos mecanismos de financiamento (66,7%), importante para aferir o nível de compromisso com as respostas apresentadas e com a procura de novas capacidades competitivas da economia portuguesa, assentes neste novo mecanismo de financiamento na Componente Climática / Energética. É também fulcral a motivação das empresas no investimento em medidas de Eficiência Energética e sistemas de AVAC de   energia   renovável, em   particular   em edifícios de emissão-zero e energia positiva, renovando   as   construções   existentes.

Relativamente à questão “Que medidas deveriam ser desenvolvidas para contribuir para o aumento da eficiência energética das suas instalações/edifício?” sumarizam-se as respostas mais recorrentes:

  • Apoios governamentais para incentivar o investimento em fontes de energias renováveis e melhoria da eficiência energética produtiva e das instalações.
  • Apoio às energias alternativas, concretamente à implementação dos fotovoltaicos.
  • Produção para auto-consumo, reserva de energia, iluminação e ar condicionado mais eficientes.
  • Substituição de janelas, lâmpadas led, substituição das coberturas dos telhados em fibrocimento por painéis sandwich.
  • Apoios à instalação de infra-estruturas e equipamentos.
  • Apoio as pequenas e médias empresas para que possam ser mais competitivas.
  • Racionalização no uso da energia, introdução de processos de produção de energia renovável.
  • Retorno do investimento bastante demorado.
  • Incentivos e redução das taxas aplicadas ao custo da energia.
  • Apoio 100% a fundo perdido.
  • Instalação de painéis fotovoltaicos e solares térmicos.
  • Apoio para investimento em isolamento térmico.
  • Apoio para projetos de mobilidade elétrica.
  • Aquisição de novas máquinas mais eficientes.
  • Intervenções na envolvente opaca dos edifícios, com o objetivo de proceder à instalação de isolamento térmico em paredes, pavimentos, coberturas e caixas de estores.
  • Substituição dos vãos envidraçados através da implementação de caixilharia com vidro duplo e corte térmico.                 
  • Substituição das lâmpadas atuais e/ou instalação de LED´s para iluminação.                     
  • Substituição do equipamento atual e/ou instalação de bomba de calor mais eficiente para climatização.
  • Redução do consumo de água                    
  • Sistemas de produção de energia para autoconsumo a partir de fontes de energia renovável, painéis solares.
  • Auditorias energéticas, racionalização e otimização dos consumos de energia. 
  • Apoios financeiros e benefícios fiscais mais tangíveis e estruturados.
  • Aproveitamento de águas residuais, uso de energia solar para auxílio de sistema de aquecimento.
  • Apoios à remodelação/construção de instalações.
  • Aumentar a capacidade dos painéis fotovoltaicos.
  • Investimento em sistema de monitorização e/ou gestão de energia nos setores de maior consumo energético

Nesta secção, foi também referida a necessidade de uma revisão da política fiscal nacional, de modo a apoiar melhor as pessoas e empresas. Foi referida a necessidade de uma maior flexibilidade para as empresas em termos de legislação laboral, licenças, simplificação das medidas, menos burocracia e mais rápidas decisões dos vários organismos públicos.

Adicionalmente, algumas empresas indicam a necessidade de apoio técnico às alterações tecnológicas na área energética das empresas e apoio financeiro subsequente, referem a Regulação e Fiscalização aos agentes instaladores para controlo dos preços aplicados a fim de evitar dumpings.

Salienta-se alguns comentários de empresas que referem a necessidade de Apoio ao financiamento por meio de investimento direto a taxa bonificada ou taxa zero e não através de crédito fiscal, a criação de mais incentivos para a implementação de medidas de melhoria da eficiência energética, menos impostos de maneira haver mais capacidade de fazer investimentos nesta área.

Das várias medidas para a implementação de melhoria da eficiência energética destacam-se a utilização de energia renováveis, instalação de Painéis Fotovoltaicos e Solares Térmicos, à substituição/manutenção de equipamentos por outros mais eficientes, isolamento térmico nas instalações e instalação de climatização inteligente.

Algumas empresas referem que a gestão mais eficiente da utilização da energia é muito importante, nomeadamente nos projetos de remodelação e de construção de novas infraestruturas, incluindo a implementação de sistemas de controlo e gestão de energia, tecnologias de iluminação mais eficiente, ou a instalação de equipamentos geradores de energia renovável, que contribui para a redução da nossa pegada de carbono.

Por fim, salienta-se que foram destacados diferentes setores de atuação que reclama maiores apoios específicos para a sua área de atividade.

Conclusões principais

O inquérito realizado permitiu realçar efetivamente a importância do papel das empresas na retoma do crescimento económico e metas a atingir na eficiência energética, assumindo-se como crucial a sustentabilidade aliada à redução de custos, especialmente importante em tempo de pandemia sendo as duas principais motivações para esta aposta empresarial.

Em suma, a globalidade dos inquiridos reconhece a importância de existirem mais apoios para o investimento e capitalização empresarial das empresas em Eficiência Energética, nomeadamente das PMEs.

  • Apesar de existir uma provável relação entre o networking da FI-Group e os resultados territoriais, também é possível aferir o interesse das diferentes regiões, sinalizando maiores necessidades nas NUTS II Norte, Centro e LVT que totalizam 94,2% de resultados de interesse;
  • 6 setores prioritários, nomeadamente: indústrias transformadoras, Outras Atividades identificadas (indústria têxtil, agricultura, indústria alimentar, comércio produtos siderúrgicos, comercio produtos petrolíferos, atividades de engenharia e técnicas afins, saúde, educação, social), consultoria científica e técnica, TIC, Eletricidade, gás, vapor, água e ar frio, e alojamento restauração e similares.  
  • Perspetiva-se o foco da procura de incentivos, por parte das médias empresas, pequenas empresas, microempresas e grandes empresas, respetivamente;
  • 88,4% das empresas não beneficiaram de apoio comunitário à eficiência energética.
  • 85% das empresas não estão abrangidas pelo SGIE.
  • 54% das empresas tem investimento previsto para o aumento da eficiência energética até 2026.
  • Identificação de necessidade de apoios, por valor de projeto, nomeadamente a “Fontes de energia renovável”, “Edifícios”, “Climatização” e “Processo Produtivo”, para projetos entre 250 e 750 mil euros. Note-se foco em projetos de maior valor (entre 750 mil e 1,5 milhões de euros), com destaque nas “Fontes de energia renovável”.
  • Processo de decisão na escolha de medidas de melhoria de eficiência energética, a maioria das empresas sinaliza como “muito importante”: a redução da fatura energética (€/ano) e a melhoria do desempenho energético. 
  • 49% das empresas refere que a parcela de custos energéticos nas despesas da instalação está entre (20 a 40%) da sua estrutura de custo e com óbvias repercussões na sua competitividade.
  • 75% das empresas não tem em curso algum tipo de Plano de Racionalização de Consumos Energéticos (PREn).
  • 92,8% das empresas considera importante a criação de benefícios fiscais para apoiar as empresas no processo de transição energética.

A motivação do tecido empresarial, no desenvolvimento dos novos mecanismos de financiamento (92,8%), é importante para aferir o nível de compromisso.

  • 51% dos inquiridos indicou várias medidas a serem desenvolvidas para contribuir para o aumento da eficiência energética das suas instalações, com foco nas energias renováveis (painéis solares e fotovoltaicos), substituição/manutenção de equipamentos por outros mais eficientes, melhorar os consumos energéticos com novas técnicas de produção e isolamento térmico. Muitos referiram a importância na execução do plano de racionalização dos consumos energéticos.
  • Das empresas que indicaram medidas de melhoria, a Indústria Transformadora destaca-se com maior percentagem de respostas (44%).
  • A Indústria Transformadora, está na sua globalidade, sensibilizada para as questões inerentes à eficiência energética, possui uma noção clara das vantagens de uma utilização mais racional da energia, nomeadamente no impacto na melhoria do seu contexto competitivo. No entanto, importa referir que, a grande maioria dos inquiridos não beneficiou de apoios comunitários no âmbito da eficiência energética.   

Ao assumir uma trajetória rumo à neutralidade carbónica, Portugal comprometeu-se a efetuar uma descarbonização profunda do sistema energético nacional. Nesta transição, assume prioridade a eficiência energética e a redução do consumo de energia. Sendo a energia um dos principais fatores de produção, esta é necessariamente uma aposta com reflexo na competitividade das empresas.

De modo a apoiar financeiramente a melhoria da eficiência energética dos edifícios, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) destina cerca de 610 milhões de euros em subvenções, dos quais:

  • 300 milhões de euros em edifícios residenciais
  • 240 milhões em edifícios da Administração Pública Central
  • 70 milhões de euros em edifícios de serviços

A Estratégia de Longo Prazo para a Renovação dos Edifícios (ELPRE) prevê um investimento total estimado de 143 milhões de euros até 2050 e visa dar uma resposta efetiva, aplicando-se ao parque nacional de edifícios existentes:

  • Edifícios residenciais
  • Edifícios não residenciais
  • Públicos e privados

Considerando as tipologias de edifícios mais representativas existentes no SCE (Sistema de Certificação Energética de Edifícios), o parque de edifícios não residenciais foi segmentado em edifícios públicos (ensino, saúde, recintos desportivos e outros serviços) e edifícios privados (hotelaria, residências, comércio, serviços e escritórios).

O Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, será uma das principais fontes de financiamento para a descarbonização da economia, de alocar 25 % do orçamento global de 33,6 mil milhões de euros da despesa à ação climática, onde se inclui a transição energética. É expectável que a Indústria Transformadora possa vir a beneficiar destes apoios em medidas de melhoria na eficiência energética. 

Ficha Técnica

Para os resultados obtidos, tiveram-se em linha de conta as respostas válidas, de 138 empresas, assentes em questionário efetuado em Microsoft Forms e enviado à base de contactos da FI Group, maximizando a interação com as empresas, através do abrangente Networking de contactos, entre todos os colaboradores da FI Group e as suas conexões associadas.