1 Julho 2024

Nos últimos anos, a Open Innovation tornou-se uma estratégia bem conhecida para as empresas expandirem os seus negócios e encontrarem uma forma mais rentável de inovar, contando com a união de diversas fontes e especialistas para expandir o potencial inovador e otimizar os resultados.

O que é a Open Innovation?

Divulgado por Henry Chesbrough, a Open Innovation consiste em criar uma abordagem mais participativa, distribuída e descentralizada dos projetos de inovação, contando com um conjunto de empresas e instituições para desenvolver uma ideia, uma vez que uma única empresa não terá o conhecimento e recursos necessários para inovar eficazmente sozinha, independentemente da sua capacidade ou dimensão. Essa ausência abre caminho para a procura de outros agentes externos para contribuir com o projeto, como universidades, startups, institutos de pesquisa, entre outros.

Assim, podemos considerar que este conceito visa a criação de modelos de negócio colaborativos variáveis, em que a interação entre os diferentes parceiros é incentivada via uma rede de incentivos. Esta sinergia entre parceiros resulta num ambiente propício ao desenvolvimento de soluções inovadoras e à criação de valor em simultâneo.

Tipos de Open Innovation: Inbound, Outbound e Coupled

Podemos começar por diferenciar os métodos desta inovação em três tipos:

  • Inbound: os agentes do exterior são incorporados na organização; o conhecimento e a tecnologia externos são integrados para melhorar os processos internos da empresa
  • Outbound: a organização transfere tecnologia e conhecimento em processos abertos; os terceiros exploram o conhecimento interno e a empresa gera receitas com a venda da sua propriedade privada, num sistema de parceria com outra organização
  • Coupled: as operações de Inbound e Outbound ocorrem simultaneamente; a empresa adquire tecnologia externa e, ao mesmo tempo, transfere as suas ideias e conhecimentos tecnológicos para empresas externas

Quais são os benefícios?

A implementação da Open Innovation pode parecer um desafio, mas não tem necessariamente de o ser: em primeiro lugar, deve avaliar as suas necessidades; em seguida, terá de organizar uma reestruturação da mentalidade da sua empresa e dos processos atuais; finalmente, escolha o método que melhor se adequa à inovação que tem em mente.

Entre as vantagens deste sistema, podemos mencionar:

  • Redução dos riscos e dos custos: ao abrir a cadeia de inovação, a organização partilha todo o desenvolvimento do projeto com um terceiro. Isto permite que todos os valores e riscos associados sejam partilhados, sem sobrecarregar a empresa detentora da ideia
  • Aceleração na implementação das inovações: ao envolver agentes externos no desenvolvimento dos projetos, a tendência é que haja uma otimização do tempo. Nesses casos, o terceiro contratado compartilha os seus conhecimentos e tecnologias, tornando os processos de desenvolvimento mais rápidos e eficientes
  • Melhorias em produtos e serviços já implementados: a Open Innovation não garante apenas novos produtos, mas permite, com a aquisição de conhecimento externo, que produtos e/ou serviços já implementados na empresa sejam aprimorados
  • Reforço da Marca: a empresa abre as suas portas a todo o mercado e a obtenção de parceiros contribui para a divulgação do negócio, reforçando proativamente o branding
  • Networking Relevante: a colaboração reúne empresas com o mesmo perfil e objetivo de desenvolvimento. Para além de integrar forças criativas, talentos e competências, fortalece o networking profissional, cria uma associação de marca relevante no mercado e dissemina ainda novas ideias
  • Aumento do ROI: o retorno sobre o investimento é um indicador que permite saber quanto dinheiro a empresa ganha com cada investimento realizado. Com a implementação da Open Innovation, a empresa tende a ter um maior retorno sobre o investimento, pois a inovação é implementada de forma rápida, barata e segura, promovendo uma possibilidade de obter maiores lucros

No entanto, é importante estar atento a possíveis desafios, como a possibilidade de falta de clareza quanto aos objetivos a atingir, a falta de comunicação e coordenação entre as partes envolvidas, a seleção de ideias e os direitos de propriedade intelectual resultantes da colaboração.

Open Innovation no resto do mundo

A Open Innovation continua a crescer. Segundo o Barómetro de Open Innovation 2021 da Economist Impact, o quadro atual da OI demonstra um profundo progresso em todos os setores estudados, com uma pontuação média de 62,9 (numa escala de 0 a 100, sendo 100 totalmente Inbound), em que as grandes empresas demonstram maior adoção destas práticas.

À medida que os ecossistemas de Open Innovation avançam, o mesmo acontece com o interesse e a implementação nos mais diversos ambientes: ainda de acordo com este relatório, 95% dos inquiridos afirmaram que as suas empresas praticam a Open Innovation, sendo que 54% aplicam as práticas em todos ou na maioria dos seus projetos, e 90% implementaram pilares-chave deste método ou planeiam implementá-los.

Na Europa, o Relatório de Open Innovation 2023 da Sopra Steria revela uma rápida aceitação da OI, com quase 3 em cada 4 empresas europeias (72%) a realizar projetos em colaboração com startups, com base em cerca de 1.648 empresas e startups de 10 países. Os dados também mostram que 89% dos objetivos foram alcançados em empresas que geriram colaborações usando uma unidade de negócios dedicada.

O conceito de Open Innovation está cada vez mais difundido na sociedade, com o cenário económico e competitivo a exigir que as empresas implementem processos cada vez mais ágeis e tecnológicos. Dessa forma, este processo torna-se uma opção viável e acertada devido à sua abertura da cadeia de inovação, otimização de processos e aprimoramento de ideias, orbitando empresas, instituições e outros pilares do mercado, como universidades, hubs de inovação e o próprio Governo.


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