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Existem 5 domínios de mudança, considerados importantes a abordar para possibilitar a sustentabilidade, o crescimento económico, as alterações sociais e o bem-estar dos cidadãos, de forma a atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.

A pandemia permitiu verificar a importância destes domínios, onde as cidades dependeram de parceriastecnologias digitaisanálise de dados e novos modelos de financiamentoA proatividade do governo ajudou as cidades a manter os seus cidadãos salvos e os negócios intactos.

​​​​​​​1 – Parcerias e ecossistemas

A pandemia fez sobressair a necessidade de colaboração entre negócios e governo. Um forte ecossistema de parcerias demonstrou-se vital para poder lidar com eventos disruptivos.

As cidades mais avançadas na corrida aos ODS (Cidades Inteligentes) trabalham com uma multitude de parceiros para atingir os seus resultados, estando mais predispostos para se juntarem com instituições financeiras e académicasgrupos comunitáriosONGs associações industriais. Adicionalmente, estas cidades estão mais aptas para colaborar com grupos multilaterais e outras cidades a nível regional ou até mesmo nacional.

78% das cidades afirmam que a sustentabilidade resiliência são as prioridades durante a procura por parceiros, querendo que estes ofereçam soluções altamente inovadoras e seguras. Embora o preço não seja a prioridade, as cidades que estão no início do seu percurso para atingir os ODS são as mais conscientes dos seus gastos.

​​​​​2 – Finanças e modelos de negócio

O financiamento é um grande desafio a ultrapassar para atingir os ODS, onde as cidades serão as que suportarão a maioria dos custos. Assim, evidencia-se a necessidade de encontrar novas fontes de suporte financeiro.

Atualmente, as cidades dependem de financiamento privado, empréstimos públicos, financiamentos do estado e do governo, e de taxas e impostos para pagar os seus programas sociais, ambientais e económicos. Nos próximos anos, as fontes estarão mais concentradas em suporte filantrópicocrowdfunding e financiamento multilateral, sendo a China e o Japão os mais acostumados com este tipo de financiamentos para o bem do público. Prevê-se que o financiamento público-privado será o método principal de conseguir obter financiamento do setor privado.

3 – Tecnologia digital

​​​​​​​As cidades estão a adotar uma larga gama de tecnologias inteligentes, com grande foco na cloud, mobile, Internet of Things (IoT), dados biométricos e Inteligência Artificial (AI). As cidades 4.0 estão a adotar as tecnologias avançadas cada vez mais rapidamente. Nos próximos 3 anos, prevê-se um aumento significativo no investimento das cidades em digital twins, 3D printing, armazéns de dados, realidade virtual e aumentada, blockchain, dashboards digitais e drones.

A utilização de IA irá aumentar nos próximos anos, onde as cidades europeias irão tomar a posição de líderes no seu investimento. O machine learning e os assistentes digitais/chatbotssão o centro das atenções, seguidos pela visão computacional. O deep learning e o Natural Language Processing (NLP) ainda são temas em crescimento.

Embora quase todas as cidades utilizam a nuvem, a forma como é usada varia consideravelmente. 90% utilizam clouds públicas baseadas no seu próprio país e 82% utilizam clouds privadas. Algumas cidades apresentam ainda algumas restrições, onde 60% não têm a permissão para utilizar clouds públicas fora do seu país.

Adicionalmente, usar só uma solução cloud não é suficiente para atingir os ODS, mas sim a combinação de múltiplas clouds e a utilização de clouds híbridas.

4 – Gestão e análise de dados

O acesso rápido e fácil a dados é vital, prevendo-se a utilização de múltiplos tipos (em média 6 tipos diferentes) de dados no futuro.

Atualmente, os dados mais utilizados referem-se a dados administrativos, dados IoT e dados de utilização e satisfação dos cidadãos, prevendo-se um aumento significativo nos próximos 3 anos de dados preditivospeer-baseddados de utilização de canal e dados geoespaciais.

Embora os dados biométricos tenham sido beneficiais durante a pandemia, as crescentes preocupações com as infrações de direitos civis colocam um travão na sua utilização. No entanto, existe uma visão global positiva sobre a sua utilização para melhorar a segurança, onde cidades com mercados mais avançados tirarão mais partido destes.

​​​​​​​A visão da população acerca da monetização de dados pessoais é, no entanto, menos positiva, mesmo tendo o objetivo de financiar as próprias cidades.

​​​​​​​A gestão de dados é imperativa para o sucesso das cidades inteligentes, apesar de apenas 35% delas terem políticas que asseguram uma gestão responsável segura. Existe uma constante preocupação sobre quais os dados que são adquiridos, de que forma serão colecionados e usado e como é que potenciais falhas são tratadas. Embora haja uma grande incorporação de indicadores de desempenho e qualidade, definição de arquiteturas de dados e abordagem de questões de privacidade, as cidades necessitam de melhorar substancialmente as suas políticas de open data, o cumprimento de RGPD e a integração de dados.

5 – Administração, liderança e visão

​​​​​​​A utilização de tecnologia e dados apenas resultarão com a presença de estruturas administrativas eficientes, ajudando a impulsionar a implementação de políticas através de ações de planeamento urbano, investimento adequado em tecnologias, identificação de KPIs e métricas relevantes para auxiliar o processo de decisão.

Cada cidade gere a sua abordagem conforme os desafios emergentes, com o uso de métricas de sustentabilidade, assegurando a consistência entre políticas sociaisambientais económicas. Também existe um grande incentivo na utilização de energias renováveis e utilização eficiente de recursos.​​​​​​​​​​​​​​

As cidades têm um plano claro e concreto sobre os projetos a executar, avaliando o impacto que cada um tem sobre os ODS a atingir. No entanto, menos de 40% das cidades consideram as necessidades dos cidadãos e dos trabalhadores durante a seleção dos projetos.

Os projetos que geram bons resultados sociais e ambientais resultam também em benefícios económicos e financeiros. No entanto, o retorno sobre o investimento não é decisivo, onde ainda um terço das Cidades Inteligentes realiza projetos que atinjam maiores objetivos sociais, mesmo que tenham um impacto económico negativo.​​​​​​

Fonte: Riskier World


SOBRE O AUTOR

André Sardo, mestre em Engenharia Eletrotécnica e Computadores pelo Instituto Politécnico de Leiria, é consultor na FI Group Portugal desde 2020 e especialista no mercado da transformação digital, sistemas de radar e comunicações sem fio.